O mau estado de alguns caminhos em Caldelas está a motivar o descontentamento de moradores, que estão a promover um abaixo assinado. A situação provocou já vários acidente e ferimentos em pessoas. A Câmara Municipal reconhece o problema, mas há que esperar por verbas do próximo ano. O problema é que vem aí o Inverno.
Após várias pessoas terem sofrido quedas e ferimentos, a par da ocorrência de diversos acidentes com meios de transporte, devido ao mau estado de alguns caminhos, moradores de Caldelas resolveram promover uma acção de protesto, através de um abaixo-assinado, para exigir a pavimentação e limpeza das vias de comunicação em causa.
Alguns moradores, sofreram algumas quedas que os obrigou mesmo a receber tratamento hospitalar, tendo-se registado assistências no Centro de Saúde e também no Hospital. Uma pessoa de Caldelas acabou mesmo por fracturar a perna, devido ao péssimo estado dos caminhos, agravado pelas chuvas que caíram na última semana.
Segundo os subscritores do protesto, o piso de alguns caminhos atingiram uma "lamentável degradação", sobretudo nos lugares de Cabaduços, Esporões, Barral e Barreiro, o que "constitui um verdadeiro atentado contra a segurança, colocando seriamente em perigo a integridade física das pessoas”.
No abaixo-assinado, os moradores destacam ainda que o actual estado deplorável das vias de comunicação provocou igualmente “avultados prejuízos materiais nos veículos".
Em causa estão igualmente obras inacabadas em caminhos, como é o caso da efectivação de alargamento da via, sem que vislumbre para breve a conclusão dos trabalhos, nomeadamente a pavimentação.
Próximo ano
O presidente da Câmara de Amares, José Barbosa, confessou ter conhecimento do mau estado dos caminhos e adinatou que em alguns casos decorrem obras de alargamento, como acontece no Barreiro, após as quais a pavimentação ficará a cargo da Junta de Freguesia.
Quanto aos restantes problemas, só no próximo ano deverão ser dadas respostas concretas, ora por falta de disponibilidade financeira ao abrigo do actual Plano de Actividades, ora por imposição de ‘timings’ previstos no âmbito da exceução de determinados projectos.
Segundo refere o autarca, o caminho de Esporões poderá ter já uma parte requalificada a partir de Setembro, mas reconhece que a melhoria da totalidade do trajecto (até à estrada nacional) só poderá vir a ser cumprida no próximo ano.
Por falta de disponibilidade financeira, o caminho do Barral terá igualmente de esperar pelo próximo Plano de Actividades municipal, enquanto que o caminho de Cabeçudos se encontra para já sem qualquer projecto de intervenção.
Em face das respostas do presidente da Câmara, os moradores de Caldelas fizeram já sentir a sua indignação, nomeadamente através de intervenções num site da Internet onde a situação é denunciada: http://cancrosdorio.blogs.sapo.pt/.
“É uma vergonha, são todos iguais... as obras tem que ser todas inauguradas uns meses antes das eleições, não vá o diabo tecêlas e o eleitor não se recorde da obra. Pobre país o nosso, que merecia melhores políticos”, escreve um cibernauta.
Denúncia na Internet
O ‘site’ intitulado ‘Mete engulho’ é um espaço da Internet disponibilizado para os cibernautas poderem “deixar a sua contribuição para a discussão dos problemas ambientais, que ameaçam as gerações actual e vindouras”.
Em http://cancrosdorio.blogs.sapo.pt/, os cibernautas são convidados a “discutir e alertar para todo o tipo de agressões ambientais, sejam elas; da água, do ar, sonoras, visuais ou outras”.
Além do caso dos maus caminhos de Caldelas, o concelho de Amares é referenciado pela negativa no ‘site’ devido a “descargas poluentes no Cávado” – situação já noticiada pelo ‘Terras do Homem’.
A denúncia reporta-se à “ETAR ‘a céu aberto’ da Ombra em Amares”, que “põe os nervos em franja aos moradores, que não desistem e querem uma solução definitiva”, refere-se no ‘site’, onde se escreve ainda : "’Os cheiros e os mosquitos, têm que acabar’ - asseverou hoje um morador, que afirma não desistir, enquanto não forem satisfeitas as promessas feitas, pelo actual presidente da Câmara, enquanto candidato”.
Na denúncia, esclarece-se que “a ETAR da discórdia fica situada junto das moradias”. Junto a uma fotografia do local, lê-se: “A cerca de 150 metros das habitações, através deste ‘cuidado’ caminho, encontramos o tal tubo que ainda continua roto a despejar no Cávado... até quando? Refira-se uma vez mais, que a cidade de Braga, Barcelos, Esposende e Póvoa de Varzim e Vila do Conde, continuam a beber desta água...”
O ‘site’ tem registado opiniões positivas de visitantes, sobre o qual um cibernauta escreveu: “É mais um blogue a remar no mesmo sentido de alguns outros e que muito me apraz registar e divulgar. Para já, acrescentei à minha lista. Um abraço. E votos de saúde, paciência e persistência na denúncia dos crimes ambientais que, infelizmente vão acontecendo”.
O ‘site’ faz ainda questão de esclarecer que “engulho” significa: náusea, ânsia que precede o vómito, aborrecimento”.